A Estação de Trabalho do Instituto de Medicina Social, unidade acadêmica de pós-graduação e pesquisa da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IMS/UERJ), integra a Rede Observatório de Recursos Humanos em Saúde (MS/OPAS) desde 1999, com o propósito de realizar pesquisas e produzir informações sobre recursos humanos em saúde, de forma a contribuir, com a formulação, acompanhamento e avaliação de políticas para a área no Brasil. . O presente trabalho apresenta dados sobre a disponibilidade de formação e oferta de profissionais médicos para o país e constitui-se como produto de uma das linhas de pesquisa desta estação. O estudo tece alguns comentários sobre a evolução da formação nos últimos anos, e levanta algumas reflexões sobre os desafios comuns colocados para o setor educativo e para o de oferta de serviços de saúde. Tal pesquisa vem sendo realizada, prioritariamente, a partir da construção de banco de dados relativo ao cadastro das Instituições de Ensino Superior disponibilizado pelo Ministério da Educação sobre cursos, vagas, egressos de Medicina no país, constituindo uma série histórica de 1995 a 2004. Discutiremos a oferta destes profissionais utilizando como categorias de análise, o número de cursos e vagas disponíveis, o número de concluintes, a natureza jurídica e a dependência administrativa das Instituições de Ensino Superior. Entre outros, o estudo evidencia uma expansão na oferta de vagas de medicina e mostra que a região sudeste mantém-se como maior detentora das vagas de medicina do país (57,4% em 2004). Ressalta-se ainda que as regiões norte e centro-oeste tiveram, no período analisado, um incremento importante no número de vagas ofertadas, passando em 2004 a ofertar 6,9% e 5,3% do total de vagas do país, respectivamente. Tomando-se como referência o segmento público, pode-se observar uma reconfiguração da distribuição geográfica dos cursos no país. Em 1995, por exemplo, 36,7% das escolas públicas concentravam-se na região sudeste, entretanto, observa-se em 2004 uma diminuição nesta participação para 29,9% do total do país. Ressaltam-se nos resultados a tendência a privatização do ensino médico no País e uma expansão de vagas para regiões de menor concentração populacional e sócio-econômica. Este estudo contribui para o monitoramento da oferta de médicos para o sistema de saúde brasileiro tendo em vista a articulação com o sistema educacional. 1 Doutora em Saúde Coletiva, Professora adjunta do Instituto de Medicina Social da UERJ, Coordenadora da Estação de Trabalho IMS/UERJ da Rede Observatório de Recursos Humanos em Saúde , pieranto@infolink.com.br 2 Doutora e Pesquisadora Associada do Instituto de Medicina Social da UERJ. taniaf@ims.uerj.br 3 Doutora em Saúde Coletiva, Professora Adjunta da Faculdade de Enfermagem da UERJ e . Pesquisadora Associada da Estação de Trabalho IMS/UERJ da Rede Observatório de Recursos Humanos em Saúde , varella@ims.uerj.br